Muito antes das farmácias modernas, dos medicamentos industrializados e dos cosméticos produzidos em larga escala, o conhecimento sobre as plantas já passava de geração em geração. Folhas, raízes, cascas e ervas faziam parte de práticas familiares e comunitárias, ensinadas pelos mais velhos e preservadas pela experiência popular. Séculos depois, muitos desses saberes continuam presentes e também encontram espaço em estudos, práticas de saúde e discussões sobre fitoterapia.

Foi justamente esse encontro entre conhecimento tradicional, informação e prática que marcou a capacitação “Uso Popular das Plantas Medicinais”, concluída na terça-feira, 15 de setembro, em Guaíra.

O Município de Guaíra, por meio da Educação Ambiental, da Diretoria de Meio Ambiente, da Secretaria Municipal de Agropecuária, Infraestrutura e Meio Ambiente, realizou o terceiro e último módulo da formação, que reuniu professores, agentes comunitários de saúde (ACS), lideranças populares, integrantes de grupos sociais e pastorais, participantes de hortas comunitárias, agricultoras e demais interessados no tema.

Com 16 horas de formação, o curso abriu espaço para um conhecimento que atravessa gerações, mas também destacou a importância da informação responsável sobre as espécies, suas características e formas de utilização.

A formação foi dividida em três etapas. No primeiro módulo, os participantes receberam as cartilhas, tiveram uma introdução ao universo das plantas medicinais e participaram de atividades práticas com o preparo de chá e sal temperado. A segunda etapa contou com aulas on-line, disponibilizadas pelo YouTube, para aprofundar os conteúdos relacionados ao tema.

O último encontro levou o conhecimento para a prática. Os participantes acompanharam o preparo de xarope e pomada, conheceram as etapas das receitas e receberam amostras dos produtos preparados durante a atividade.

Entre uma receita, uma explicação e outra, o curso também colocou em evidência algo que faz parte da história de muitas famílias: aquele conhecimento aprendido com mães, avós e outras pessoas da comunidade sobre o uso das plantas. A formação permitiu revisitar esses saberes sob uma perspectiva orientada, com informações sobre plantas medicinais e fitoterápicos.

A evolução da indústria farmacêutica transformou profundamente a forma como a sociedade produz e utiliza medicamentos, mas não eliminou o interesse pelo conhecimento acumulado em torno das plantas. Hoje, os saberes tradicionais também dialogam com áreas de pesquisa e com práticas relacionadas à saúde, o que reforça a necessidade de informação adequada e uso responsável.

É justamente aí que está uma das riquezas da capacitação: não tratar o conhecimento popular e o conhecimento técnico como mundos opostos, mas criar espaço para informação, troca de experiências e compreensão responsável sobre um patrimônio de saberes construído ao longo de gerações.

A atividade ocorreu no Centro Administrativo Municipal (CAM) e contou com a participação e o apoio do Município de Guaíra, Sustentec e Itaipu Binacional, além do apoio do Governo Federal e do Ministério da Saúde.

Com a conclusão do terceiro módulo, a capacitação deixou mais do que receitas de chá, xarope, sal temperado ou pomada. Trouxe para o presente conhecimentos que fazem parte da memória de muitas famílias e comunidades e mostrou que preservar saberes tradicionais também significa estudá-los, compreendê-los e compartilhá-los com responsabilidade.

DICSI Fotos e Texto: Fabíola Moraes / Revisão: Cintia Marques