Guaíra foi escolhida como cidade-piloto de uma iniciativa inédita criada para aproximar a população das águas e apresentar o potencial turístico, esportivo e de lazer do Rio Paraná e do Lago de Itaipu.

Nos dias 26 e 27 de setembro, o Município de Guaíra apoiou a primeira edição do Festival Náutico Ocupe o Lago, iniciativa da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec que deverá percorrer outros municípios da região lindeira.

A escolha de Guaíra para iniciar o projeto reconheceu a relação histórica do município com o Rio Paraná. A cidade reúne navegação, pesca esportiva, turismo de fronteira, biodiversidade, paisagens singulares e a memória das Sete Quedas, elementos que fazem das águas parte essencial de sua identidade.

Como projeto-piloto, o Festival não se limitou à oferta de atividades náuticas. A programação reuniu passeios gratuitos, exposições, orientações de segurança, instituições públicas, forças de segurança, escolas náuticas, artesanato, experiências turísticas e atrações culturais.

Uma grande estrutura de palco, som, iluminação e atendimento ao público foi instalada no Centro Náutico Marinas para receber o show nacional de Carreiro & Capataz, atração que também integrou a programação do Ocupe o Lago.

Na noite de sábado, a dupla levou ao palco a força da viola, do sertanejo bruto e dos grandes modões. O show gratuito ampliou as opções de entretenimento, atraiu novos públicos e mostrou que o turismo náutico pode caminhar junto com a cultura e a música.

Durante o fim de semana, o Centro Náutico Marinas ganhou novas cores, movimentos e sons. Barcos a vela cruzaram a paisagem. Caiaques avançaram próximos às margens. Motos aquáticas mostraram a força e a modernidade do setor náutico. Embarcações levaram famílias e visitantes para conhecer o rio sob uma nova perspectiva.

Mais do que assistir ao movimento das águas, o público foi convidado a participar.

Muitas pessoas que vivem há anos em Guaíra tiveram, pela primeira vez, a oportunidade de entrar em um caiaque, navegar em um veleiro, passear de barco ou experimentar a emoção de uma moto aquática.

A cada retorno à margem, os sorrisos, os relatos e a vontade de repetir a experiência mostravam a força da iniciativa. Crianças, jovens e adultos descobriram uma nova forma de olhar para o rio: não apenas como parte da paisagem, mas como espaço de turismo, esporte, lazer, conhecimento e pertencimento.

A estreia do Ocupe o Lago mostrou que morar às margens de um dos rios mais importantes do continente representa um privilégio. Mostrou também que esse patrimônio pode gerar experiências acessíveis, movimentar a economia e fortalecer a relação da comunidade com o território onde vive.

Passeios reuniram história, conhecimento e acolhimento

A Bauer Náutica e Reginaldo Barcos atenderam o público nos passeios pelo Rio Paraná. As equipes levaram muitas pessoas para navegar e ofereceram atendimento marcado por segurança, simpatia e acolhimento.

As embarcações contaram com água e frutas para os passageiros. Durante os trajetos, os condutores não se limitaram a apresentar a paisagem. Eles compartilharam informações sobre o Rio Paraná, a história das Sete Quedas, as oscilações de profundidade encontradas nas margens de Guaíra e o funcionamento do GPS náutico.

Cada passeio se transformou em uma experiência de turismo e conhecimento. O público pôde observar a cidade a partir do rio, compreender melhor as características da navegação e conhecer histórias que ajudam a explicar a relação de Guaíra com suas águas.

A equipe da TIM Náutica conduziu os passeios de barco a vela. Mesmo nos períodos em que o vento não apresentou intensidade suficiente, o público não ficou sem a experiência.

Com o apoio de uma embarcação a motor, os veleiros foram conduzidos até a região do ponto da Seringueira. A partir dali, os participantes puderam sentir o vento no rosto, observar as velas coloridas e contemplar a Ponte Ayrton Senna ao fundo.

As imagens renderam fotografias marcantes. A experiência deixou lembranças ainda maiores: a sensação de navegar, o silêncio interrompido pelo movimento da água e a oportunidade de enxergar Guaíra por um ângulo diferente.

A Guaíra Experience foi responsável por uma operação constante de transporte, orientação e acompanhamento nos passeios de caiaque.

A equipe recebia os participantes no Centro Náutico, transportava pessoas e equipamentos até o ponto da Seringueira, colocava os caiaques na água e apresentava as orientações necessárias antes da saída.

Os instrutores ensinaram técnicas básicas de remada, posicionamento, equilíbrio e segurança. Depois do treinamento, os participantes desciam o rio de caiaque até o Centro Náutico, sempre acompanhados pela equipe.

O trabalho exigiu organização para transportar, retirar, reposicionar e devolver os caiaques durante toda a programação. A dedicação permitiu que diferentes grupos vivessem a experiência com tranquilidade, diversão e segurança.

Os passeios de moto aquática também estiveram entre as atividades mais procuradas. A proximidade com a água, a velocidade e a aceleração proporcionaram uma experiência de alta adrenalina.

Mesmo para quem embarcou apenas por curiosidade, a emoção surgiu rapidamente. A sensação de deslizar sobre o rio, sentir o vento e acompanhar os movimentos da moto aquática tornou o passeio inesquecível.

O conjunto das atividades mostrou que uma boa experiência turística depende de muito mais do que equipamentos. Depende de pessoas preparadas para receber, orientar, contar histórias, transmitir confiança e fazer com que cada participante se sinta acolhido.

Forças de segurança aproximaram o trabalho da população

A programação também abriu espaço para que o público conhecesse parte da estrutura empregada na segurança da fronteira e nas operações realizadas no Rio Paraná.

A Marinha do Brasil, o Núcleo Especial de Polícia Marítima da Polícia Federal (NEPOM), a Polícia Militar do Paraná, por meio do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFRON), e o Corpo de Bombeiros apresentaram equipamentos, viaturas, embarcações e veículos náuticos utilizados nas atividades de patrulhamento, fiscalização, prevenção, salvamento e resposta a ocorrências.

Mais do que uma exposição, os espaços proporcionaram contato direto entre a população e os profissionais das forças de segurança. Os agentes explicaram suas rotinas, os treinamentos necessários, as características dos equipamentos e os cuidados adotados durante operações terrestres e aquáticas.

As equipes receberam crianças, jovens e adultos com atenção e disponibilidade. O público pôde subir em embarcações, conhecer motos aquáticas, observar equipamentos de perto, tirar fotografias e esclarecer dúvidas sobre o trabalho realizado na fronteira.

Na exposição da Marinha, os visitantes puderam subir na moto aquática e conhecer parte da estrutura utilizada nas ações de segurança da navegação. Os militares apresentaram informações sobre os equipamentos e sobre a atuação da instituição no Rio Paraná.

O BPFRON explicou como seus integrantes se preparam para operações em áreas de fronteira, quais treinamentos recebem e quais procedimentos adotam diante de situações de risco, inclusive nos casos em que um policial se machuca durante uma ação.

O Corpo de Bombeiros também apresentou equipamentos e orientou o público sobre prevenção, salvamento e cuidados necessários nas atividades aquáticas.

Um dos destaques foi a embarcação de operações especiais apresentada pelo NEPOM. Construída para missões de maior complexidade, a lancha chamou a atenção pelo porte, pela potência e pela estrutura desenvolvida para transportar agentes, armamentos, barcos menores e motos aquáticas.

O agente Inácio, do NEPOM, recebeu as famílias e explicou detalhes como velocidade, capacidade, peso, materiais utilizados na fabricação e organização interna da embarcação. Os visitantes também puderam entrar na lancha e tirar fotografias no posto de comando.

Ao ser questionado sobre as situações em que aquela embarcação era utilizada, o agente respondeu, de forma bem-humorada, que ela entrava em ação “quando tudo dava errado” e que, ao vê-la no rio, provavelmente “algo de errado não estava certo”.

A frase descontraída ajudou a traduzir a seriedade da missão. Trata-se de uma estrutura preparada para responder às situações mais complexas e proteger um território de importância estratégica para o Brasil.

Mesmo sob o sol intenso, os profissionais permaneceram nos espaços de exposição e atenderam o público com paciência, simpatia e riqueza de informações. Em cada explicação, demonstraram conhecimento técnico e respeito pelo trabalho que desempenham.

O contato revelou um universo que muitas vezes permanece distante da rotina da população. Ao apresentar equipamentos e compartilhar experiências, as instituições mostraram como trabalham e o compromisso de quem escolheu servir e proteger.

A presença das forças de segurança também transmitiu uma mensagem importante: o Rio Paraná é um espaço de turismo, esporte e lazer, mas conta com instituições preparadas para proteger as pessoas, fiscalizar as águas e responder a situações de emergência.

Artesanato também ocupou espaço no Festival

Outro ponto que chamou a atenção foi a Feira do Artesão. Os expositores apresentaram peças produzidas à mão, marcadas pela criatividade, pelo cuidado e pela identidade local.

Os trabalhos artesanais ampliaram a diversidade do Festival e valorizaram pessoas que transformam talento, técnicas tradicionais e matéria-prima em produtos únicos.

Além de divulgar a produção local, a feira criou oportunidades de comercialização e aproximou os artesãos de novos públicos.

Guaíra demonstra potencial para receber novas edições

Guaíra possui uma geografia náutica diferenciada. A região das antigas Sete Quedas, hoje submersas, preserva formações rochosas e características que criam diferentes ambientes no Rio Paraná.

A cidade reúne história, paisagens, biodiversidade, pesca esportiva, navegação e uma posição estratégica na fronteira com o Paraguai e com o Mato Grosso do Sul. Esse conjunto forma uma base valiosa para o desenvolvimento do turismo náutico e de experiências ligadas ao esporte e ao lazer.

O Festival Ocupe o Lago também ampliou o público do tradicional Torneio Internacional de Pesca Esportiva. Jovens, famílias e pessoas que não participavam da competição encontraram novos motivos para visitar o Centro Náutico Marinas e permanecer no local durante o dia.

A iniciativa agregou fluxo, movimento e diversidade à programação. O rio deixou de ser apenas o cenário do Torneio e passou a ser parte direta da experiência do público.

Guaíra recebeu a primeira edição como projeto-piloto, mas a resposta da população demonstrou que a iniciativa possui espaço para retornar. Mais do que uma atividade anual, o resultado abre a possibilidade de estudos para a criação de horários periódicos destinados a experiências náuticas orientadas.

Duas horas em um sábado ou domingo, com estrutura, profissionais capacitados, equipamentos e regras de segurança, poderiam aproximar continuamente a população do rio, incentivar novos praticantes, fortalecer escolas náuticas e consolidar uma cultura de ocupação responsável das águas.

A proposta também poderia movimentar guias, condutores, restaurantes, hotéis, comércio, escolas de navegação, artesãos e prestadores de serviços ligados ao turismo.

O sucesso da primeira edição mostrou que existe público. Mostrou também que a população deseja ocupar o lago, conhecer modalidades e descobrir novas maneiras de aproveitar uma das maiores riquezas naturais de Guaíra.

O desafio agora é transformar o entusiasmo do fim de semana em inspiração para novas ações. Ocupar o lago não significa apenas colocar embarcações na água. Significa criar pertencimento, ampliar o conhecimento, incentivar a segurança e fazer com que a comunidade reconheça o potencial turístico do território onde vive.

O Festival Ocupe o Lago deixou uma mensagem clara: o Rio Paraná pode ser contemplado, preservado e vivido.

Em Guaíra, viver o rio é sempre uma experiência única.

A realização foi do Hospital AssisteGuaíra, com apoio da Itaipu Binacional, do Itaipu Parquetec e do Município de Guaíra.

DICSI: Fotos: Assessoria / Texto e Revisão: Cintia Marques